Seja lá o que diabos vocês todos encontram de tão bom nesse tal de Resident Evil 4, certamente eu não encontrei. Pelo menos não ainda. Assim que terminei o ICO, consultei a minha lista e vi que o próximo a jogar era ele, mas o que encontrei foi uma série de aspectos que me causaram diversas reações, entre as quais posso destacar tédio, muita frustração e até uma certa repulsa.
Até hoje eu nunca li ou ouvi nem sequer uma opinião desfavorável ao game. Todo mundo parece ser unânime em afirmar que é um puta jogaço e tudo mais, e eu entendo que todos devem ter os seus motivos. Uma das coisas que todos fazem questão de frisar é o quanto RE4 é diferente, “evoluído”, em relação aos episódios anteriores da série. E sim, ele é mesmo. Mas aí é que está: eu nunca, nunquinha mesmo, gostei nem um pouco de Resident Evil
. Logo, joguei o 4 como se fosse um outro jogo, sem comparar aos REs anteriores. Mas nem assim…
O resumo da história é que eu simplesmente não consegui me acostumar com vários aspectos do jogo. Desde coisas simples, como o irritante som dos passos do protagonista e a história que já começa com o maior clichê da história (meu, quando os presidentes dos EUA vão finalmente reforçar a segurança de suas filhas?), até aspectos mais complexos, como a jogabilidade, pouca coisa me “desceu”. E com certeza, das coisas que desceram, nada desceu redondo.
Longe de mim falar que os gráficos de RE4 são ruins, porque não são. Mas “ruim” e “feio” são dois adjetivos completamente diferentes, e, sim, eu achei os gráficos de RE4 feios. Feios pra dedéu, pra chuchu, pra caralho. Eu sei que ele está num lugar árido e abandonado e que o jogo é mais extenso do que um percurso de ida e volta pela Grande Muralha da China, com baldeação, mas custava colocar um pouquinho de personalidade nos cenários? São sempre as mesmas casinhas, os mesmos zumbis, os mesmos animaizinhos emagrecidos pela falta de cuidado por parte dos camponeses (claro, agora eles são zumbis sem amor às criaturas de Deus). A vegetação tem sempre o mesmo exato tom de amarelo. Aí, quando eu olhei pra um cocho de água, cuja legenda dizia que já estava com a água parada há séculos e completamente sujo, eu tive que olhar pro meu PS2
pra ter certeza de que não era um PSOne numa carcaça preta, tentando me passar a perna. Mas não, ele tinha acabado de rodar e maravilhoso Soul Calibur III
por quase duas horas. A culpa devia ser do jogo mesmo.

Com milhões de cores à disposição, o jogo praticamente só usa amarelo e marrom.
Mas os gráficos feios nem são o pior do jogo. Eu gostaria mais ainda é de saber o que diabos é aquele sistema de movimentação do Leon. Eu tenho certeza praticamente absoluta que um cara duro e lerdo como ele jamais entraria para nenhum tipo de força policial. No máximo o cara passaria no teste pra ser guardinha noturno aqui do bairro. Por que ele não consegue andar de lado ou esquivar? Ter que girar o corpo noventa graus para só então começar a correr de uma dinamite que estoura em menos de dois segundos não é lá muito produtivo, ou mesmo seguro. E por que ele tem que mover o corpo inteiro na direção do alvo quando está mirando ou atirando? Da última vez que eu me informei a respeito, era possível alcançar os mesmos resultados apenas movendo o braço que segura a arma.
E, principalmente, por que DIABOS DOS INFERNOS ele não consegue dar um passo, um mísero passo para qualquer direção que seja, se estiver com empunhando a faca??? Eu e a minha namorada frequentemente passeamos na Avenida Paulista, e quase sempre paramos no Bob’s para adquirir dois deliciosos Milk-Shakes de Ovomaltine (pra ela) e Morango (pra mim), que costumamos consumir enquanto caminhamos pela avenida. Isso não teria nada a ver com o que eu estou falando sobre o Resident, não fosse o fato dela sempre tirar sarro da minha cara porque eu fico sempre bem mais calado enquanto caminho tomando o milk-shake: “Você não consegue andar, tomar milk-shake e conversar ao mesmo tempo! Hahahah!”. É, eu tenho um tantinho de dificuldade, amor. Mas, olha só, eu acabei de ir ali na cozinha, peguei uma faca e tentei andar com ela na mão. E eu consegui! EU, descordenado que só, consegui fazer algo que o respeitado soldado de elite Leon S. Kennedy não consegue! Tentei até aumentar a dificuldade, tentando andar, segurar a faca AND* golpear zumbis hispânicos imaginários, tudo ao mesmo tempo, e CONSEGUI. Não tem desculpa pra ele não conseguir. Não tem mesmo.
No post anterior a esse, tive a honra de ser elogiado pelo Fabão, que disse que eu sabia compreender decisões de design. Não reclamar de alguma coisa que tem razão para ser, digamos, pior do que deveria. E eu sinceramente acho que a jogabilidade da série Resident Evil é uma dessas decisões de design. Você ter que dar uma volta completa em torno do próprio eixo do seu corpo só pra poder correr da aberração que vem andando em sua direção realmente adicionava mais tensão e pavor à coisa, e isso era um dos objetivos do game. Dar tensão e pavor ao jogador. Mas, por mil Miyamotos, não estamos mais em 1996! Isso foi uma decisão de design tomada há onze anos atrás e, pelo menos na minha humilde opinião, não convence mais hoje em dia. Com o poder dos consoles atuais, é possível criar situações de tensão e pavor que não tenham como efeito colateral a vontade quase incontrolável de enfiar o DualShock
parede a dentro. Talvez seja porque eu acabei de terminar ICO e me acostumei com uma movimentação perfeita e fluida, mas eu realmente odiei controlar Leon S. Kennedy. E isso, por si só, já seria motivo pra largar o game e ir jogar coisas que me fazem mais feliz.
Mas não, eu pretendo jogar mais algum tempo. Reconheço que joguei muito pouco do game para dar a minha nota definitiva. Por isso, isso aqui está longe de ser um review. Ainda não entendi como dezenas de revistas, sites e blogs do mundo inteiro deram notas altíssimas pra essa aparente quase-porcaria, e quero muito entender. Faço questão.
Mas será que vai demorar muito? Eu queria jogar mais Soul Calibur…
*Sim, eu leio o Judão.