Arquivo de junho \26\UTC 2006

Finalmente um jogo novo

Nas últimas semanas, depois de um jejum de muitos meses, eu adicionei dois itens à minha modesta coleção de games. Se é que dá pra chamar assim. A parte boa de não ter grana pra comprar games toda hora é que a gente se esforça ao máximo e pesquisa muito para não fazer besteira e comprar jogo ruim. A gente só compra quando sabe que o jogo é bom. E, modéstia á parte, eu acho que comprei dois jogos maravilhosos. Ao primeiro deles será dedicado o meu post de hoje. e do outro eu falo em um pŕoximo post.

:: New Super Mario Bros
Vocês vão ler (ou não) o meu review sobre esse jogo nas páginas da Nintendo World 97, que chega às bancas dia 5 de julho. Enquanto lá eu tentei dar uma opinião abrangente, que passasse uma noção exata do quanto o jogo é bom, mas sem deixar de apontar os defeitos, aqui eu vou me deixar tomar pela emoção de ser um “mariólatra”: o jogo é do caralho. Aqueles novos power-ups são bem mais divertidos do que eu imaginava.

O Mega-Mushroom, que deixa o Mario gigantesco, aparece mais do que talvez fosse necessário, mas mesmo assim é sempre uma emoção quando se vê o gorducho ficando do tamanho da tela, pronto pra destruir tudo à base de chutes e atropelamentos. Além do mais, há toda uma preocupação com o ponto certo da fase a usá-lo (quando você o tem em estoque, claro), de modo a aproveitar o poder para otimizar a destruição da fase. Isso porque quanto mais você destruir, mais vidas caem do céu depois. O jogo é generoso no que diz respeito aos cogumelinhos verdes, mas isso não diminui a minha vontade de pegar mais e mais. Deve ser por causa do barulhinho.

Já o Mini-Mushroom (já viu que os nomes não ganham nenhum prêmio de originalidade, né?) tranforma o Mario em Mini-Mario. Como o próprio encanador revelou, em recente entrevista, “I’m-a so cute when I’m-a like that!”. Não dá pra saber se ele está dizendo a verdade, porque ele fica realmente minúsculo. A graça disso é a mais improvável possível: o medo da morte. Quando você assume o controle sobre o ser diminuto no qual Mario se tornou, você percebe que ele corre mais rápido e pula mais alto, tornando-o razoavelmente mais difícil de ser controlado. Somando-se a isso o fato dele ser tão vulnerável quanto o Mario normal (morrendo ao primeiro toque de qualquer inimigo) e simplesmente não causar dano algum mesmo ao mais fraco dos Goombas (a não ser que se use a “bundada”, mas você não querer ficar usando isso o tempo todo), você terá a sensação alucinante de perigo que é controlar o Mini-Mario.

Isso sem contar o Koopa-Mario (ou seja lá qual for o nome). Com ele você ganha um casco azul de Koopa e pode usá-lo à vontade. Apertando o direcional para baixo você se encolhe dentro de sua nova proteção e os inimigos não lhe acertam — nem mesmo os chefes. Atingindo a velocidade máxima em uma corrida você experimenta a sensação de ser um Koopa correndo “à toda” dentro de seu caso, detonando tudo no caminho. Acredite, é bem legal. E talvez a melhor das habilidades desse power-up seja a menos óbvia: você se movimenta vinte e sete vezes melhor dentro d’água.

Outra coisa que eu sinto que devo mencionar é o multiplayer. É realmente uma pena que a maioria das pessoas não tenham a oportunidade de experimentar o frenesi que é disputar o modo Mario vs. Luigi ou os minigames que podem ser jogados por até 4 pessoas ao mesmo tempo. No primeiro modo, Mario e o seu irmão são jogados em uma fase infinita (onde o fim da extremidade direita é o início da extremidade esquerda e vice-versa) e cada um deve “se virar” para ser o primeiro a agarrar 5 estrelas. Elas vão aparecendo uma por vez, em intervalos de vários segundos, dando tempo para que o irmão que não conseguiu pegar a estrela tente arrancá-la à força de seu brother. Imagine o Tom correndo atrás do Jerry, mas ambos com condições iguais. É mais ou menos assim. Divertido pra caralho.

Já o multiplayer dos minigames é o mais próximo que se pode chegar de um Mario Party no DS. (aliás, demorou pra lançarem um, né?) Só jogando pra entender, mas é uma festa completa, sério. Se você mora em São Paulo ou região, ligue para a redação da Futuro e marque um dia para vir aqui, aí a gente joga. Sério.

Resumindo, NSMB é um ótimo jogo. Talvez não tão bom quanto a imprensa em geral têm pintado, mas ainda assim muito bom e digno do preço dele na NGM. Deve ser porque a maioria dos reviews que eu li foram feitos por gamers old-school que se deixaram levar pelas lembranças do tempo em que descobriram o primeiro Super Mario Bros, lembranças essas que eu (infelizmente, talvez) não tenho. Mas não entenda mal: o jogo vale a pena total. Para qualquer um, inclusive você.

Jogar = Acreditar

sonicwildfire.jpgQuando eu fiquei sabendo das primeiras informações sobre Sonic Wild Fire, o novo game do ouriço para o Wii, eu fiquei com o pé atrás a respeito de várias coisas. Não dá para voltar? Não teremos controle direto sobre o personagem? Será que a ação vai se resumir a desviar de objetos caindo movendo o personagem para os lados e pular? Realmente, na minha opinião havia muita coisa para dar errado. Ainda mais considerando a (falta de) qualidade dos últimos games do herói azul feitos pela Sega.

Mas isso mudou hoje, quando eu descobri e baixei o novo vídeo em alta qualidade do jogo, disponibilizado pela IGN. O vídeo me fez perceber que o fator crucial para fazer um jogo ser divertido não é a sua jogabilidade ou a liberdade que o jogo te dá. Tudo isso não é nada se o fator crucial (na minha opinião) não for bom: o design das fases.

Sonic Wild Fire tem tudo pra ser a melhor aventura em 3D do rapidinho desde Sonic Adventure. Ou talvez desde sempre. O vídeo é pesado, mas 127MB é um preço baixo a se pagar para voltar a acreditar na qualidade de um jogo do Sonic. Tomara que não seja só impressão minha.

ESWC e os Ciberatletas

ESWC LogoDomingo passado eu fui cobrir as grandes finais da etapa nacional da Electronic Sports World Cup, uma das maiores ligas de ciberesporte do mundo. Tirando o fato de que foi a minha primeira cobertura de um evento como jornalista (falo mais sobre isso mais adiante), o evento foi surpreendentemente divertido. Eu pensei que ver um monte de nerds jogando Counter Strike (que, por sinal, é um jogo que eu não consigo chegar nem perto de gostar) seria a própria definição da palavra boring, mas acabou superando as minhas expectativas.

Primeiro porque não rolou só CS. Teve Warcraft III, Gran Turismo 4, Pro Evolution Soccer 5 e Trackmania Nations. E desses aí, o Pro Evolution Soccer foi incrivelmente animal de assistir. Com certeza melhor do que assistir uma partida de futebol de verdade (principalmente porque demora bem menos).

LadieSNão vou dar o serviço aqui porque vocês podem ler a minha cobertura (com os nomes dos vencedores e tudo mais) diretamente aqui. Mas posso dizer que foi emocionante assistir as LadieS (foto ao lado) detonarem as meninas do MIBR no Counter Strike Feminino (mesmo eu não gostando muito do jogo, como já disse). Também emocionante foi passear por todos os lugares do evento usando a minha credencial de imprensa. Com certeza é uma relíquia que eu vou guardar com carinho.

E a infra-estrutura do lugar? Caramba, aquilo foi impressionante. O evento aconteceu no campus da universidade Anhembi Morumbi. Eu já tinha vontade de estudar lá antes, agora isso só aumentou. É um lugar amplo, bem planejado, bonito e, acima de tudo, moderno. Os jogos em si aconteceram no auditório/teatro, que tinha ótimos assentos (melhores do que os de muitos cinemas bacanas por aí), espaço e um som limpo e claro. O que estava no palco não pertencia à universidade, mas também impressionava: dez computadores — cinco de cada lado –, cada um com um televisor widescreen de muitas polegadas (sei lá, deviam ser de 42", não entendo disso) na frente, mostrando o que se passava no monitor do jogador. No teto acima do palco luzes spot iluminavam o jogador em si, de cima, e se apagavam quando o mesmo morria em uma partida de CS. Além disso tudo, ainda havia um telão de projeção que mostrava trailers dos próximos jogos a serem disputados e, durante as partidas do tal do CS, ainda mostrava o mapa geral do campo de batalha e às vezes destacava um ou outro jogador. Pra terminar, dois telões menores ao lado desses mostravam os rostos dos jogadores, captados por câmeras que passavam por eles (e muitas vezes pela frente das TVs que mostravam os jogos, atrapalhando a platéia).

O.k., tudo isso é muito legal e eu ia terminar o post mais ou menos por aí, mas ontem eu conversei sobre isso com um colega aqui da redação e ele me apontou um ponto de vista sobre os ciberatletas que eu nunca tinha tido. E faz todo o sentido, na verdade. Quando eu estava lá, assistindo as pessoas jogando, ganhando e perdendo, comemorando e se decepcionando, eu achei tudo muito legal. Achei que era legal o fato de existirem pessoas que jogam prossionalmente, que conseguem ganhar dinheiro e patrocínios oficiais, ir à outros países disputar com pessoas do mundo inteiro. Ainda acho. Mas e o outro lado da moeda?

A profissionalização dos jogadores acaba com a essência dos videogames. Com a própria definicão e propósito dos jogos existirem. Que é a tão falada DIVERSÃO. Será que uma pessoa que joga 4 horas por dia a mesma fase de um jogo, usando o mesmo personagem e cumprindo o mesmo objetivo sem parar, "treinando" para um campeonato, se diverte fazendo isso? O "Pato", vencedor da final de Warcraft III, chegou a declarar que estava meio desanimado com o jogo e pensando em começar a jogar outra coisa. Mas agora ele supostamente terá que jogar e jogar e jogar o Warcraft durante horas por dia se quiser fazer bonito na França (onde acontecem as finais para qual os ganhadores da etapa brasileira se qualificaram). Será que isso vai ser divertido?

Não divulgo o nome do meu colega porque essa é sem dúvida uma opinião polêmica e que pode render muita discussão (que é justamente o que eu espero que aconteça com este post), nem se concordo com ele ou não (até porque eu ainda preciso ponderar a coisa toda), mas quero ouvir a opinião de vocês.

Rumo ao Futuro

FuturoOntem foi meu último dia de trabalho na Liga DG. Porque no início da semana eu recebi uma proposta (e na quarta-feira ela foi oficializada) para trabalhar na Futuro Comunicação. É impressionante como as coisas realmente não acontecem antes da hora certa… A primeira vez que eu bati na porta da Futuro ela ainda nem tinha esse nome: se chamava Conrad Editora.

Foi em fevereiro de 2005, e eu me lembro muito bem. Fui lá, na cara e na coragem, do alto da minha inexperiência, e falei com o grande Pablo Miyazawa (na época, Editor da EGM Brasil). Conversei com ele, entreguei currículo, entreguei umas folhas impressas com textos meus e deixei clara a minha intenção de trabalhar lá. Só Deus sabe o quanto eu incomodei esse cara desde então. Ligava, aparecia lá, enchia o saco no MSN… sempre querendo saber quando ia chegar a minha vez de sentar num daqueles computadores e ganhar a vida jogando e escrevendo sobre games. A hora quase chegou algumas vezes, mas nunca chegava de verdade. Hoje eu entendo que não havia chegado porque não era hora, e agradeço por não terem chegado mesmo.

Há alguns meses eu comecei a escrever para a Nintendo World. Começou com uma colaboraçãozinha minúscula, mas logo eu já estava escrevendo matérias inteiras, textos não assinados e cobrindo as seções de outros colaboradores quando estes não podiam escrever naquele mês. Nesse meio tempo também eu abri esse blog. Não sei até que ponto ele foi uma vitrine para mim, mas acho que alguém deve ter lido e achado legal, porque eu tive a súbita impressão de que, de uma hora para a outra, eu comecei a ser encarado menos como um leitor e mais como um jornalista (ou um projeto de um). Só sei que apareceu uma vaga lá Futuro e o Pablo prontamente me chamou, e disse que foi por mérito único e exclusivo meu.

Começo segunda e mal posso esperar. Desejem-me sorte nessa nova fase, nesse novo Futuro. 😉


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