ESWC e os Ciberatletas

ESWC LogoDomingo passado eu fui cobrir as grandes finais da etapa nacional da Electronic Sports World Cup, uma das maiores ligas de ciberesporte do mundo. Tirando o fato de que foi a minha primeira cobertura de um evento como jornalista (falo mais sobre isso mais adiante), o evento foi surpreendentemente divertido. Eu pensei que ver um monte de nerds jogando Counter Strike (que, por sinal, é um jogo que eu não consigo chegar nem perto de gostar) seria a própria definição da palavra boring, mas acabou superando as minhas expectativas.

Primeiro porque não rolou só CS. Teve Warcraft III, Gran Turismo 4, Pro Evolution Soccer 5 e Trackmania Nations. E desses aí, o Pro Evolution Soccer foi incrivelmente animal de assistir. Com certeza melhor do que assistir uma partida de futebol de verdade (principalmente porque demora bem menos).

LadieSNão vou dar o serviço aqui porque vocês podem ler a minha cobertura (com os nomes dos vencedores e tudo mais) diretamente aqui. Mas posso dizer que foi emocionante assistir as LadieS (foto ao lado) detonarem as meninas do MIBR no Counter Strike Feminino (mesmo eu não gostando muito do jogo, como já disse). Também emocionante foi passear por todos os lugares do evento usando a minha credencial de imprensa. Com certeza é uma relíquia que eu vou guardar com carinho.

E a infra-estrutura do lugar? Caramba, aquilo foi impressionante. O evento aconteceu no campus da universidade Anhembi Morumbi. Eu já tinha vontade de estudar lá antes, agora isso só aumentou. É um lugar amplo, bem planejado, bonito e, acima de tudo, moderno. Os jogos em si aconteceram no auditório/teatro, que tinha ótimos assentos (melhores do que os de muitos cinemas bacanas por aí), espaço e um som limpo e claro. O que estava no palco não pertencia à universidade, mas também impressionava: dez computadores — cinco de cada lado –, cada um com um televisor widescreen de muitas polegadas (sei lá, deviam ser de 42", não entendo disso) na frente, mostrando o que se passava no monitor do jogador. No teto acima do palco luzes spot iluminavam o jogador em si, de cima, e se apagavam quando o mesmo morria em uma partida de CS. Além disso tudo, ainda havia um telão de projeção que mostrava trailers dos próximos jogos a serem disputados e, durante as partidas do tal do CS, ainda mostrava o mapa geral do campo de batalha e às vezes destacava um ou outro jogador. Pra terminar, dois telões menores ao lado desses mostravam os rostos dos jogadores, captados por câmeras que passavam por eles (e muitas vezes pela frente das TVs que mostravam os jogos, atrapalhando a platéia).

O.k., tudo isso é muito legal e eu ia terminar o post mais ou menos por aí, mas ontem eu conversei sobre isso com um colega aqui da redação e ele me apontou um ponto de vista sobre os ciberatletas que eu nunca tinha tido. E faz todo o sentido, na verdade. Quando eu estava lá, assistindo as pessoas jogando, ganhando e perdendo, comemorando e se decepcionando, eu achei tudo muito legal. Achei que era legal o fato de existirem pessoas que jogam prossionalmente, que conseguem ganhar dinheiro e patrocínios oficiais, ir à outros países disputar com pessoas do mundo inteiro. Ainda acho. Mas e o outro lado da moeda?

A profissionalização dos jogadores acaba com a essência dos videogames. Com a própria definicão e propósito dos jogos existirem. Que é a tão falada DIVERSÃO. Será que uma pessoa que joga 4 horas por dia a mesma fase de um jogo, usando o mesmo personagem e cumprindo o mesmo objetivo sem parar, "treinando" para um campeonato, se diverte fazendo isso? O "Pato", vencedor da final de Warcraft III, chegou a declarar que estava meio desanimado com o jogo e pensando em começar a jogar outra coisa. Mas agora ele supostamente terá que jogar e jogar e jogar o Warcraft durante horas por dia se quiser fazer bonito na França (onde acontecem as finais para qual os ganhadores da etapa brasileira se qualificaram). Será que isso vai ser divertido?

Não divulgo o nome do meu colega porque essa é sem dúvida uma opinião polêmica e que pode render muita discussão (que é justamente o que eu espero que aconteça com este post), nem se concordo com ele ou não (até porque eu ainda preciso ponderar a coisa toda), mas quero ouvir a opinião de vocês.

6 Responses to “ESWC e os Ciberatletas”


  1. 1 ngmonline quarta-feira, 07/06/2006 às 5:47 pm

    Eu concordo com o seu colega. Se eu mal consigo jogar 2 horas direto por dia, imgine fazer isso todo dia e por obrigação. Até porque, quando se sabe que você deve fazer algo, quando o seu lazer vira trabalho, a diversão se perde e você acaba perdendo todo o prazer que tinha ao fazer aquilo. Certamente, faz todo o sentido. E é por isso que eu não gosto desses campeonatos “profissionais”.

  2. 2 Jorge Wagner quinta-feira, 08/06/2006 às 7:48 pm

    Taí, poucos campeões se mantém ativos. Salvo os patrocinados (Andinho->NFS, Carriços->FIFA, g3x/mibr->CS).

  3. 3 Julio Bassi (Imperial°Spirit) sexta-feira, 09/06/2006 às 1:50 am

    Depende, pois eu não faço a menor ideia de como é jogar em um campeonato, será que não vale apena todo aquele treino que vc fez só pra chegar em um campeonato e poder enfrentar pessoas realmente no mesmo nivel que vc, sabe, sentir aquele clima de desafio, de dar o melhor de vc e sentir aquele frio na barriga antes de iniciar a partida. Pois eu me pergunto se a Daiane dos Santos, o Ronaldinho Gaúcho e outros também não se desanimam quando treinam, mas que no fundo fazem isso só para chegar e sentir mais uma vez a sensação de dever cumprido, de objetivo alcançado o de saber que ainda tem muito para aprender, no caso, quando são derrotados.

  4. 4 Jorge Wagner sexta-feira, 09/06/2006 às 7:08 am

    “sentir aquele frio na barriga antes de iniciar a partida”

    Você esqueceu da tremedeira que dá jogar com uma pancada de gente te olhando.

  5. 5 Thiago terça-feira, 13/06/2006 às 6:19 pm

    Eu fui! Foi muito massa!

    Quanto ao ponto de vista do seu colega, eu sei lá. Eu joguei CS over and over and over and over again por um ano inteiro e não é tão chato assim. Aliás, eu mal via a hora de jogar de novo. E o nome disso é vício. Ahuahuhua! Mas realmente uma hora deve encher o saco.

    Agora, se formos pensar assim, a vida de um jogador de futebol deve ser tão chata quanto a vida de um jogador profissional de games. Com a diferença que o jogador de futebol ganha alguns milhões a mais por ano. =)

  6. 6 Bicho do Mato sexta-feira, 05/01/2007 às 3:04 pm

    Acho que é mesmo que uma banda, vc ensaia sempre as mesmas músicas, até as palhaçadas no palco e etc…
    A diversão não fica no jogo, e sim nos amigos, na galera que ta contigo, se houver armonia entre os componentes, ja era! A coisa flui de forma viciante.


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