Arquivo de setembro \20\UTC 2006

O Winning Eleven e a história do cara que não gostava de Winning Eleven

winningeleven.jpgNerd, indie, anti-social, elitista ou metido a besta, podia me chamar do que quiser, mas eu nunca gostei de futebol. Não apenas “nunca gostei”, eu sempre achei patético. Não o esporte em si, mas a paixão doentia que esse povo carente do que fazer desenvolveu pelo esporte só porque calhou do país ter montado um time fodão lá na primeira metade do século passado.

Eu sempre achei que existiam outros esportes muito mais bacanas e “incompreendidos” — ou melhor, não apreciados. Como o basquete, o tênis e o golfe, por exemplo. Entre futebol e qualquer outra coisa passando na TV, eu sempre preferi qualquer outra coisa. Enfim, além de um gaúcho que não gosta de churrasco, eu completava o combo sendo um brasileiro que não gostava de futebol.

Meu cunhado (ou concunhado, sei lá…) sempre trazia o PS2[bb] lá pra casa e ficava jogando com o meu outro cunhado (esse é cunhado mesmo) o tal do Winning Eleven[bb]. Sempre achei uma perda de tempo, que eles poderiam estar jogando alguma coisa mais bacana. Um Soul Calibur 3, um jogo de tênis bacana, algum jogo de ação com um modo cooperativo ou sei lá. Qualquer coisa, menos o maldito Winning Eleven.

Mas aí eu vim trabalhar na Futuro e a TV de sei-lá-quantas (mas-são-muitas) polegadas não parava de exibir o tal do WE nenhum segundo. As pessoas chegam e vão direto jogar, antes do expediente. Lá pelas seis da tarde, a mesma coisa: já começa a fila pra “saideira”. Cara, vou te dizer, o pessoal daqui joga dezenas de jogos pra fazer review, preview, detonado e o escambau, mas nenhum jogo chega perto do monopólio que o futebol virtual exerce sobre a tela da TV. Isso que o Winning Eleven não é pauta há muito tempo.

Quando eu entrei aqui, podia me apoiar no Jô, que compartilhava comigo do sentimento de repúdio mortal e “não-sei-como-vocês-conseguem-gostar-disso”, mas o colega saiu da empresa duas semanas depois que eu entrei. Aí a biologia e as aulas de seleção natural entraram em ação e eu tive que dar o braço a torcer.

Claro que eu comecei de leve, simplesmente parando de menosprezar o jogo. “Ah, se o pessoal só joga isso o tempo todo, alguma diversão há de ser.” E daí a começar a arriscar umas partidinhas (sempre repetindo para mim mesmo a desculpa de que “se eu não jogar isso, não vou jogar mais nada”), não demorou quase nada.

No começo era só pelo social, sabendo que eu ia perder vergonhosamente 11 de cada 10 partidas que eu jogasse, mas logo eu já estava me interessando por aqueles pontinhos coloridos e aquela lista de opções que aparecem antes do jogo. “O que será que acontece se eu futricar nisso aqui?” Óbvio que eu comecei fazendo muita merda, como fazer formação 5-4-1 e recuar toda a zaga, exterminando até mesmo com a mais remota chance de passar do meio de campo, mas eventualmente eu aprendi mais ou menos como se faz. E assim eu começava a vencer as minhas primeiras partidas (passei a perder só 9 de cada 10).

O coincidente fato de eu ter comprado o meu PS2[bb] nessa mesma época foi apenas mais uma tentação para que eu treinasse em casa, até porque tenho o meu cunhado, que me serviu de experiente treinador, ensinando até algumas técnicas mais avançadinhas. E assim eu comecei a não olhar tão torto para aquele monte de estatísticas, números, siglas e cores. Pelo contrário, eu estava aprendendo a domá-los e usá-los em meu benefício. E, cara, como é boa a sensação de dominar algo antes totalmente estranho e assustador.

Resultado: hoje o Winning Eleven 9 (eu ainda prefiro a mobilidade e agilidade do 10, mas o pessoal da redação adora a dureza que eles chamam de “realismo” do 9) é o meu passatempo oficial entre os textos. Antes de começar a trabalhar, nada melhor do que passar a bola para o Owen, enfiar pela lateral esquerda, no pé do Joe Cole e depois cruzar rasteiro na entrada da área e dar aquele chutão de primeira com o Gerrard. Ainda mais se o adversário for o Testa ou Minatogawa, os terrores da redação.

É, não que agora eu ame futebol (eu ainda nunca iria a um estádio, nem morto), mas o tal do Winning Eleven conseguiu me deixar bem menos chato.

esquema.jpg

Simple and Clean

Kingdom HeartsPor incrível que pareça, eu voltei a jogar videogame de verdade esse ano. Fiquei parado desde o fim da era do Super Nintendo, puramente por falta de ter o videogame em casa. Minha sorte foi que eu nunca deixei de gostar da coisa e sempre me mantive informado, comprando revistas e devorando tudo quanto era site sobre o assunto, de outra forma nem poderia estar trabalhando com o que eu estou agora.

Mas o ponto que eu quero tocar é que, por ter ficado sem jogar clássicos como Final Fantasy VII e outros jogos (principalmente RPGs), eu nunca havia sido tocado por um ponto que hoje considero crucial dos games: a trilha sonora.

Claro que eu já apreciei jogos com trilhas memoráveis, como Yoshi’s Island e Chrono Trigger, mas essas trilhas — especialmente a do primeiro — se destacam simplesmente por serem facilmente assobiáveis e “grudentas” no bom sentido. As de CT até apelam mais para o lado emocional (especialmente a do Frog) e pessoal dos personagens, mas ainda assim não passavam de sonzinhos sintetizados em midi.

Mas aí eu joguei Kingdom Hearts.

A apresentação do jogo é impressionante ainda hoje, então imagino o impacto na época do lançamento, há uns 4 anos atrás. Uma CG que consegue te colocar no clima de fantasia do jogo, e ainda acompanha uma trilha cantada que não me chamou especial atenção, apesar de não ser, nem de longe, ruim. Mas o melhor estava guardado para o final, sem dúvidas.

O nome desse post é o título da música que toca na animação final do jogo. Enquanto a introdução te pega “vazio” e serve pra dar aquela empolgada inicial, a animação final, com a música (que é MUITO melhor do que a da abertura), já te encontra muito mais apegado aos personagens, quando você já passou com eles por todas as provações da história, já riu, se divertiu e se emocionou com os acontecimentos do jogo, superou desafios e compartilhou das mesmas esperanças… é impossível não se emocionar nessa hora.

Depois disso, o meu amigo Puma88 (que ironicamente não gosta de Kingdom Hearts) me passou a mp3 dela, e eu tenho ouvido praticamente todos os dias. Nos cerca de 5 minutos de duração da música é como se eu estivesse lembrando de um grupo de amigos, não de simples personagens de videogame. Eu lembro de tudo que aconteceu com eles como se tivesse acontecido comigo (e de fato conteceu, de certo modo) e sinto falta deles como se fosse de um amigo que está longe. É uma sensação estranha e nova pra mim.

Definitivamente, Kingdom Hearts é um jogo que vai ficar marcado pra sempre na minha história como gamer. Preciso jogar logo o Chain of Memories, antes de pegar o 2.

As coisas que a gente faz para rever os amigos… 🙂


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