Arquivo para outubro \31\UTC 2006

Ontem e Hoje

Tempo, tempo…Olha só que engraçado: no último post eu estava todo empolgado com o fato de ter participado pela primeira vez do Picto-Chat (seção da Nintendo World onde os editores/redatores batem um papo sobre algum assunto), e nesse post, venho comunicar que não trabalho mais na gloriosa Futuro Comunicação.

Oh!

Não, sério, eu não trabalho mais lá. Me mandaram embora ontem. O site Herói.com.br já não faz parte da minha rotina de trabalho. Aquela história básica de corte de gastos e tudo mais, sabe? Com razão, afinal, a empresa tem que fazer aquilo que a empresa tem que fazer para continuar de pé. Minha função não era mais necessária, segundo o julgamento da empresa. Eu entendo.

Mas esses cinco meses que eu passei lá foram, de muito longe, uma das melhores experiências da minha vida. Aprendi uma quantidade absurda de coisas, coisas que não se aprende de outro modo que não vivenciando. Fiz amizades que com certeza perdurarão, não importa o que aconteça. Aumentei minha cultura e diminuí meus preconceitos. Caralho, até aprendi a jogar Winning Eleven!

Agora que eu estou “disponível no mercado de trabalho” (adoro esse eufemismo para “desempregado”), o que muda? Pra começar, esse blog vai voltar a ser diário. Não diário no sentido de “querido diário, hoje meu dia foi assim e assado e blablablá”, mas diário no sentido de ser atualizado todos os dias. Quem se lembra do início do 16-BIT sabe que ele costumava ser diário (no segundo sentido), atualizado toda manhã, embora nem sempre com posts muito bons… 😛 Agora, se Deus quiser, vai voltar a ser assim. Mal posso esperar pela tendinite e LERs.

Ah, vou ver se arranjo tempo amanhã de dar uma tapeada no visual e na organização dele.

Outra coisa que muda é que agora eu quero mais é experimentar. Quero ver como é a vida de quem escreve sobre games fora daquelas quatro paredes do segundo andar do 813 da Av. Heitor Penteado. Tô aceitando tudo. Então, se você quiser os meus textos na sua revista/site/blog/jornal/parede, é só entrar em contato comigo. Acredito que eu seja simpático.

Hive, iG, Estadão, Europa, Digeratti, UOL Jogos, FinalBoss, GameTV… estou olhando para todos vocês.

Claro que eu vou continuar “freelando” (acabei de lembrar do Fabão e suas “palavras proibidas”) na Futuro, pelo menos enquanto não for contratado (se for) por outro lugar, que exija exclusividade. Como eu disse, estou aberto a todas as possibilidades.

E você ficará sabendo por onde andam os meus textos, pode deixar.

Ah, e quer saber de uma coisa irônica? Eu sempre ouvia esse boato lá na Futuro, de gente que tinha visto um certo cara comendo na padoca lá de perto. Ontem, quando eu tava voltando de lá, com a minha sacolona cheia das tranqueiras da minha mesa, lá estava ele, Joselito em pessoa!, comendo uma coxinha na frente da janela da padoca que dava pra rua. Ô vida sem-noção, viu? 😛

Até amanhã.

PQP…

…a capa da Nintendo World 101 tá matadora. Matadora, matadora, matadora.  Posso estar sendo precipitado, mas eu acho que, se não for a melhor, é uma das três melhores da história da revista.

E eu ainda participei do Picto-Chat pela primeira vez. Tô feliz. 🙂

Enquanto isso, na redação…

Minatogawa joga o novo Dragon Ball do PS2 pra fazer review; Gilsomar joga alguma coisa no PSP; o sol, bonito, bate forte na janela, ofuscando o monitor do Shaaman, que por sua vez discute empolgadamente com Guerra e Fabão a respeito de alguma novidade recentemente descoberta sobre o PS3 (acho que é o esquema dos shoulder buttons serem “clicáveis”, ou coisa assim). Bruno Doiche, Rigues e Barbão discutem sobre um texto polêmico sobre provedores, a sair na próxima PC Magazine. Homero, Orlando e Guerra (que aparentemente já terminou de se empolgar com a empolgante novidade do PS3) conversam, gritando, sobre o fato do Orlando sempre mandar emails de correntes pra sacanear o Guerra. Stephanie está sentada no sofá, com bongôs do GameCube na mão, perguntando o que é e pra que servem.

Tudo isso faz muito barulho, a despeito do fato d’eu estar ouvindo Bad Religion a todo volume no iTunes. Agora trocou, é Foo Fighters. Mas é uma daquelas acústicas do CD novo, e eu tô afim de combater barulho com barulho, então vou trocar para My Hero.

Todo este estímulo visual e sonoro, juntamente com o ócio mental derivado dos longos tempos de processamento que o meu computador exige entre um comando e outro, me fizeram ter uma GRANDE idéia.

Pena que eu duvido que ela vá vingar. Neste caso, vocês nunca saberão do que se trata. É uma pena.

A Eterna Guerra dos Consoles

Dê uma lida no email abaixo, enviado para a EGM:

TODOS POR UM
Eu mantenho minha boca fechada a maior parte do tempo. Não reclamo dos nomes dos novos episódios de Star Wars, nem que o Solid Snake tem mullets. Mas tem coisas que não dá pra deixar passar. Eu tenho que me desfazer de várias centenas de dólares toda vez que um novo console sai, só por causa dessa compulsão que eu tenho. Eu estou empolgadaço com algum console next-gen em particular? Não. Eu tenho grana pra comprar qualquer um deles? Não MESMO. Mas eu sei que vou acabar passando a noite do lado de fora da Electronics Boutique para comprá-los no dia do lançamento.
Algumas pessoas recitam suas opiniões nos fóruns ou umas para as outras: “O Console A* vai detonar!” ou “Ninguém acredita no Console B!”. Não importa o quanto eles pareçam gostar de um deles, todos sabem que, se tivessem a grana, comprariam todos os três consoles do mercado. A galera passa o tempo todo diminuindo um console em favor de outro, mas eu acredito que a maioria dos gamers ficaria feliz com qualquer console no qual eles conseguissem colocar suas mãos ensebadas. Então por que começar a falar mal daquele que você não vai comprar agora? Você pode acabar comprando esse também, um dia. Quando o dia do lançamento dos novos consoles chegar, não vai ter nada a ver com especificações técnicas ou lealdade à marca. Só vai ter a ver com um monte de hardware e software matador para todos os gamers.

Will Herring
j_koei@coldmail.com

A carta foi publicada na EGM sim, mas a gringa. Há quase 5 anos atrás, em janeiro de 2002. Não parece, né?

Não posso dizer que trabalhar na Futuro é um completo mar de rosas o tempo todo, mas com certeza tem algumas coisas que são muito legais. E uma delas é a estante com praticamente todas as Electronic Gaming Monthly que já foram publicadas. E ontem calhou de eu catar a edição de Janeiro de 2002 para ler no metrô, na volta para casa. É impressionante perceber como a “vibe” de época de lançamento de consoles é sempre igual, não importa de qual geração estamos falando.

Eu não me lembro de como era na época do lançamento do SNES e do Mega Drive, mas não me surpreenderia nem um pouco se me dissessem que os “seguistas” atacavam os “nintendistas”, que atacavam de volta e vice-versa. Dá até pra imaginar alguns falando “ahá, mas no teu videogame não vai ter Phantasy Star!” e outros respondendo “quem precisa de Phantasy Star quando se tem Mario e Zelda?”, só para serem rebatidos com “mas você viu a velocidade do Sonic? O teu videogame não faz isso nem f*dendo!”. Eu diria que esses “arranca-rabos de lançamento” são justamente uma das coisas que fazem esse mundo dos games ser tão cativante.

O que nos leva de volta ao email do nosso amigo Herring. Ele serviu pra eu ver (ou relembrar) como as situações nunca mudam, só mudam os nomes. No texto original, o “Console A” era o GameCube e o “Console B” era o Xbox. Essa informação foi omitida, obviamente, por que era o único trecho que poderia denunciar que o texto não é atual. E como ele realmente se encaixa de forma perfeita no que vivemos hoje em dia! Basta trocar “Console A” por Wii e “Console B” por PlayStation 3 e essa carta poderia, facilmente, ser publicada na revista do mês que vem.

Portanto, quando você se incomodar com as infindáveis discussões em fóruns, lembre-se: sempre foi assim. E prepare-se, porque daqui a 5 anos (ou sabe-se lá quantos) vai ser igualzinho.

A Culpa é Nossa

Faz tempo que eu não posto aqui. Mas para o bem de todos (e para evitar mais um daqueles tradicionais parágrafos com desculpas e promessas de uma maior frequência de postagens), vou simplesmente ignorar esse fato. Ok? Ok, então tá bom.

* * *

Amaterasu, o Deus Lobo fodão de OkamiEssa semana eu tive que dar, no Herói.com.br, uma notícia que me deixou particularmente triste e preocupado: fecharam a Clover. Pra quem não sabe, a Clover Studios é uma subsidiária da Capcom (ah, essa você conhece, né?), que tem em seu currículo poucos jogos, mas todos ótimos. Inclusive Okami. Na verdade, mesmo que ela não tivesse feito merda nenhuma além do Okami, já seria uma das melhores. Porque, caso você não saiba, Okami é foda.

E fecharam a danada. Agora me pergunte “Por quê?”, que eu vou ser obrigado a lhe responder “Porque o gamer em geral é BURRO”. É, amigo, estou falando com você. Mas não se preocupe, porque não é com você. É com todos aqueles que ficam esperando Need For Speed atrás de Need For Speed. Splinter Cell atrás de Splinter Cell. Tony Hawk atrás de Tony Hawk. Com todos aqueles que não se interessaram em jogar LocoRoco no PSP. Com todos aqueles que não deram bola para Rez (ou talvez nem saibam o que é Rez). Enfim, com todos aqueles que não dão chance a idéias novas e conceitos originais, que acham tudo “bobo” e que acham que game bom é game com arma, sangue e músicas de rappers famosos na trilha sonora.

Com base nesse último parágrafo, já dá até pra chutar a justificativa que a Capcom deu para a dissulução da Clover, né? Direto do comunicado oficial:

“Clover Studio has met the goal of developing unique and creative original home video game software, however, in view of promoting a business strategy that concentrates management resources on a selected business to enhance the efficiency of the development power of the entire Capcom group, the dissolution of Clover Studio has been raised and passed at a Board of Directors’ meeting.”

Tradução:

“A gente deu uma chance procês, vocês não compraram os maravilhosos games originais e criativos que a gente tava fazendo. Agora a casa caiu, mano. Chega de injetar grana nessa parada de fazer game criativo. Que mané criativo! A gente ganha muito mais grana fazendo outro Mega Man, outro Resident Evil, outro Street Fighter…”

Quero deixar bem claro que não tenho nada contra nenhuma dessas séries da Capcom e que eu sei que Resident Evil é uma ótima série, assim como Street Fighter e Mega Man (se bem que essas duas já viram dias melhores, viu…). O que acontece é que o mundo dos games precisa de idéias novas e precisa sair da mesmice. Eu consigo até imaginar os games daqui a 10 anos exatamente como a TV é hoje em dia: só tem merda passando, porque o povo só gosta das merdas que passam. Ninguém tem coragem de exibir um programa inteligente, útil, desafiador, porque no mesmo horário vai ter mulher mostrando a bunda em dois ou três canais concorrentes, e o povo VAI preferir ver bunda do que aprender, pensar, ser desafiado. É isso que você quer pros games daqui a 5, 10, 15 anos? Então eu acho que está na hora de você dar uma chance a jogos diferentes. Não tenha medo de jogar um jogo só porque nenhum dos seus amigos conhece. Seja o primeiro a experimentar novidades, a desbravar novos gêneros.

Comece hoje: entre no GameRankings.com e procure um jogo para o seu console que tenha uma média geral bacana e que seja de um gênero que você não costuma jogar. Corra atrás dele e experimente. Você vai ver como vai ser gratificante.

E você ainda pode estar ajudando a salvar os games da mesmice para todo o sempre. =)


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