A Culpa é Nossa

Faz tempo que eu não posto aqui. Mas para o bem de todos (e para evitar mais um daqueles tradicionais parágrafos com desculpas e promessas de uma maior frequência de postagens), vou simplesmente ignorar esse fato. Ok? Ok, então tá bom.

* * *

Amaterasu, o Deus Lobo fodão de OkamiEssa semana eu tive que dar, no Herói.com.br, uma notícia que me deixou particularmente triste e preocupado: fecharam a Clover. Pra quem não sabe, a Clover Studios é uma subsidiária da Capcom (ah, essa você conhece, né?), que tem em seu currículo poucos jogos, mas todos ótimos. Inclusive Okami. Na verdade, mesmo que ela não tivesse feito merda nenhuma além do Okami, já seria uma das melhores. Porque, caso você não saiba, Okami é foda.

E fecharam a danada. Agora me pergunte “Por quê?”, que eu vou ser obrigado a lhe responder “Porque o gamer em geral é BURRO”. É, amigo, estou falando com você. Mas não se preocupe, porque não é com você. É com todos aqueles que ficam esperando Need For Speed atrás de Need For Speed. Splinter Cell atrás de Splinter Cell. Tony Hawk atrás de Tony Hawk. Com todos aqueles que não se interessaram em jogar LocoRoco no PSP. Com todos aqueles que não deram bola para Rez (ou talvez nem saibam o que é Rez). Enfim, com todos aqueles que não dão chance a idéias novas e conceitos originais, que acham tudo “bobo” e que acham que game bom é game com arma, sangue e músicas de rappers famosos na trilha sonora.

Com base nesse último parágrafo, já dá até pra chutar a justificativa que a Capcom deu para a dissulução da Clover, né? Direto do comunicado oficial:

“Clover Studio has met the goal of developing unique and creative original home video game software, however, in view of promoting a business strategy that concentrates management resources on a selected business to enhance the efficiency of the development power of the entire Capcom group, the dissolution of Clover Studio has been raised and passed at a Board of Directors’ meeting.”

Tradução:

“A gente deu uma chance procês, vocês não compraram os maravilhosos games originais e criativos que a gente tava fazendo. Agora a casa caiu, mano. Chega de injetar grana nessa parada de fazer game criativo. Que mané criativo! A gente ganha muito mais grana fazendo outro Mega Man, outro Resident Evil, outro Street Fighter…”

Quero deixar bem claro que não tenho nada contra nenhuma dessas séries da Capcom e que eu sei que Resident Evil é uma ótima série, assim como Street Fighter e Mega Man (se bem que essas duas já viram dias melhores, viu…). O que acontece é que o mundo dos games precisa de idéias novas e precisa sair da mesmice. Eu consigo até imaginar os games daqui a 10 anos exatamente como a TV é hoje em dia: só tem merda passando, porque o povo só gosta das merdas que passam. Ninguém tem coragem de exibir um programa inteligente, útil, desafiador, porque no mesmo horário vai ter mulher mostrando a bunda em dois ou três canais concorrentes, e o povo VAI preferir ver bunda do que aprender, pensar, ser desafiado. É isso que você quer pros games daqui a 5, 10, 15 anos? Então eu acho que está na hora de você dar uma chance a jogos diferentes. Não tenha medo de jogar um jogo só porque nenhum dos seus amigos conhece. Seja o primeiro a experimentar novidades, a desbravar novos gêneros.

Comece hoje: entre no GameRankings.com e procure um jogo para o seu console que tenha uma média geral bacana e que seja de um gênero que você não costuma jogar. Corra atrás dele e experimente. Você vai ver como vai ser gratificante.

E você ainda pode estar ajudando a salvar os games da mesmice para todo o sempre. =)

14 Responses to “A Culpa é Nossa”


  1. 1 Anônimo domingo, 15/10/2006 às 10:50 am

    Na verdade os caras foram criar um novo estúdio e a Capcom resolveu encerrar o contrato com a “empresa” deles.

  2. 2 Bufalo domingo, 15/10/2006 às 12:40 pm

    É exatamente o que se diz na matéria, o povo tem medo de experimentar coisas novas, então continuam na mesmice, porque do jeito que tá, tá bom, e pra que mexer no que já tá bom?? é assim que o povo pensa, infelizmente.

    Experimentar um jogo novo é como um usuário de Windows migrar pro Linux. Pra ele tudo vai ser novidade, e ele vai ter muito o que aprender. Daí, como dito também, o povo prefere o comodismo da mesmice ao invés de se aventurar no desbravamento de um mundo completamente novo. Por isso as séries que começaram lá no Nintendinho fazem sucesso até hoje (vide Mario e Zelda).

  3. 3 Vinícius de Figueiredo Silva domingo, 15/10/2006 às 5:33 pm

    Nessa hora você separa quem gosta realmente de video-game e quem acha que gosta. Geralmente a grande maioria dos gamers são bem limitados na hora de jogar, eles jogam os títulos básicos que todos conhecem, ficam esperando milhares de continuações, se prendem a capacidade gráfica do jogo e não saem desse ciclo vicioso. Outros jogadores, os que gostam mesmo da parada, procuram jogos novos, jogam games independentes e estão é loucos pra ver coisa nova e criativa no mercado.

  4. 4 Fabio Bracht domingo, 15/10/2006 às 7:21 pm

    Vinícius, esse exemplo que tu deu me lembra bastante o mundo da música. Tem gente que tu pergunta “Ah, tu curte música?” e o cara responde “Claro!”. Mas aí tu vai perguntar quais são as bandas preferidas dele e ele cambaleia e te responde “Ah, eu gosto de tudo um pouco”. Balela. Se a pessoa gosta mesmo de música ela fatalmente vai se identificar com um estilo e vai atrás de coisas novas naquele estilo. Vai ouvir músicas de bandas independentes, fora daquela mesmice que toca no rádio. É o mesmo esquema.

    Quem concorda?

  5. 5 Bruno Alexander Zerbinatti domingo, 15/10/2006 às 9:46 pm

    Culpa dos teenagers mesmo.

    Mas cada vez mais a indústria dos videogames está se parecendo com a indústria do cinema. Temos jogos feitos para as massas, sem conteúdo mas que vendem barbaridade, e jogos “de arte”, para um nicho pequeno mas muito exigente.

    As produtoras têm duas saídas: acabar com séries promissoras ou transformar a série em algo teenager, que o público quer ver.

    Vide o que fizeram com Prince of Persia, pós Sands of Time. Virou um jogo comum, como qualquer outro pula + soque seu controle. Do ponto de vista comercial, deu mais do que certo. A série até que continuou numa boa, mas o Sands of Time continua insuperável.

    Ah, e eu não concordo com sua colocação sobre Splinter Cell. Esse foi um jogo bem original, e ao contrário do que pensam, Splinter Cell não chega a agradar o público casual. Acham Sam “muito lento” o.O

  6. 6 Gyanni Segundo segunda-feira, 16/10/2006 às 6:01 am

    Ôpa!! E aí, Fabio! Beleza?

    Meu comentario é sobre seu comentario: “Ah, eu gosto de tudo um pouco”.

    Quando tu disse isso, logo veio em minha mente que isso foi pra mim. =]

    Quando você perguntar quais musicas as pessoas gostam e elas responderem “Ah, eu gosto de tudo um pouco”., dê mais uma chance pra pessoa, pois ela pode estar falando a verdade.

    No meu caso, por exemplo, eu falaria “Ah, eu gosto de tudo um pouco”. Mas por que? Porque eu não costumo classificar as bandas, saka? Eu simplesmente falo “Eu gosto daquela musica daquela banda e daquela outra musica daquela outra banda”.

    Sem contar que gosto de varios estilos de musica, ou seja, “de tudo um pouco”…

    É apenas isso que tento dizer. =]

    Abraço!

  7. 7 Fabio Bracht segunda-feira, 16/10/2006 às 11:07 am

    Gyanni, olha… com certeza não foi pra ti o comentário, mas tudo bem.🙂

    Só queria te perguntar uma coisa: tu se considera um apaixonado por música? Tu compra CDs? Tu compra revistas especializadas em música? Tem algum site de música que tu visite regularmente?

    Caso tu tenha respondido “não” para a maioria dessas perguntas, tu é um apreciador de música, alguém que gosta (até porque é praticamente impossível não gosta de uma arte tão diversificada como a música). Mas não é um apaixonado. E isso não é, de forma alguma, uma crítica. Algumas pessoas se apaixonam por algumas coisas e outras não.🙂

    O meu post (e o comentário) falava sobre as pessoas que são apaixonadas e se interessam por games (e por música) acima da maioria das outras coisas.

    Abraço e valeu por visitar o 16-BIT! =)

  8. 8 Fabio Bracht segunda-feira, 16/10/2006 às 11:09 am

    Bruno, eu só citei Splinter Cell porque é um jogo com muitas sequências, que sai regularmente e que é amplamente aceito pelas massas. Assim como eu citei Resident Evil, que também é quase sempre garantia de “jogão”.🙂

  9. 9 Vinícius de Figueiredo Silva terça-feira, 17/10/2006 às 1:14 pm

    Concordo com o exemplo da música Fábio, o mesmo serve para cinema. Você pergunta se o sujeito gosta de cinema e sempre ouve sim, quando vai falar de alguns filmes mais clássicos, coisa mais alternativa ou qualquer coisa que não seja um blockbuster hollywoodiano, o cara não sabe do que se trata.

    É nessa hora mesmo que você separa quem gosta realmente dos que apenas apreciam. Eu gosto de jogos, posso não ter um Xbox 360 e estar jogando o que tem de mais novo no mercado mas eu gosto dos games e não me importo de onde eles são, quem assina o jogo, se são da gigante EA ou de um programador independente da Eslovênia. A maioria dos jogadores não é assim e o mercado tem que agradar eles. Ai você vê absurdos como o jogo do 50 cent vender horrores.

    Nem tudo que é feito pro mercado é ruim, claro que não mas infelizmente muita coisa boa não tem espaço por culpa disso.

  10. 10 Samuel quarta-feira, 18/10/2006 às 9:36 am

    que pena hein..
    Mas okami tenho que comprar até o final do ano.
    No japão não vendeu nada, sera que nos EUA vendeu alguma coisa, se não vender em canto nenhum o negosso é fechar a empresa mesmo, pq vivemos em um munto capistalista.

    Não vendeu ta fora😦

  11. 11 Wagner quinta-feira, 19/10/2006 às 10:48 am

    Bem que você poderia incluir aí: Guitar Hero após Guitar Hero; ou duvidas que outros games musicais como o próprio Rez vão passar batido justo por causa de GH?

  12. 12 Ray Sylvis quinta-feira, 21/12/2006 às 12:13 am

    Sou um gamer, gosto das grandes franquias(em seus anos de glória), e estou cansado da mesmice, e Okami é realmente fodastico, é uma pena a Clover ter fechado, lamento mesmo, pois desenvolvedoras pequenas e novas tem maior senso de originalidade e maior independencia pra criar novos títulos, e não apenas ficar presas a aquelas franquias interminaveis, e agora também inventaram os episódios “zero” pra elas.

  13. 13 Sara quinta-feira, 08/01/2009 às 7:38 pm

    Concordo Completamente! Os jogos de video são como as férias. Ou são coisas diferentes e que nós aprendemos a gostar ou simplesmente,… são uma merda. Se quiserem sempre a mesma coisa NAO aprendem, NAO evoluem, (e nalguns casos pssam para Homo Sapiens), e são uns maricas que só porke o jogo na é conhecido na jogam. Pois fiquem sabendo que eu jogo mts Jogos de PS2 e já joguei okami sem olhar para a sua popularidade. Apenas pelo nome (que eu sei um pouco de japones e a cultura e sabia que Okami Amaterasu era a deusa(muitos pensam que é rapaz) do sol e vida, como diz no jogo “The mother of us all”!
    Bjs Sara Vigário!🙂

  14. 14 Anônimo sexta-feira, 02/07/2010 às 12:09 pm

    A TRADUÇAO DO TESTO É UMA MERDA…NEM SEQUER SIGNIFICA O K ESTÁ ESCRITO NO TEXTO EM INGLES…PÁ PROXIMA TRADUZ BEM EM VEZ DE ESTAR-NOS A FODER A PUTA DA PACIENCIA COM ESSAS MERDAS DE QUE AS SAGAS DE JOGOS DAO MAIS GUITO…CLARO K DA PQ OS OUTRO JOGOS SAO UMA MERDAA…E SE ESSSE FILHOS DA PUTA NAO KEREM ANDAR A CHORAR K NEM MADALENAS NAO ANDEM A GASTAR MILHOES EM EQUIPAMENTOS FODIDOS E PONHAM SE A TRABALHAR NO NOVO NEED FOR SPEED, STREET FIGHTER OU A PUTA K OS PARIU


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