…e malhando uma resenha terrível

No último post eu fiz questão de elogiar e pagar pau pra uma resenha muitíssimo bem escrita. Pois bem. Agora é hora de fazer a mesma coisa, mas ao contrário: falar o que tem que ser dito sobre uma resenha deveras infeliz. Essa aqui, sobre o Video Games Live.

Mas o que tem que ser dito? Eu já tinha todo um texto na cabeça quando comecei a escrever essas linhas, mas acabei percebendo que eu ia dar voltas e mais voltas pra acabar dizendo uma coisa só: opinião é bom, mas tem que saber usar. Ou a autora da crítica queria justamente causar esse tipo de reação nos “nerds” que foram ao evento e curtiram, ou ela realmente deveria aprender a enfatizar a frase “na minha opinião…” nos textos dela.

Em quatro das cinco primeiras frases, a autora já dá motivos mais do que suficientes para pararmos de ler o texto e abaixarmos a cabeça, pesarosos e desejando um bom futuro a essa pobre alma que não sabe se expressar:

“Grande parte dos presentes pareciam ter saído de algum banheiro do Star Wars.

“A fila de entrada era três vezes mais esquisita que a da saída do Objetivo Paulista.”

“O pessoal do Pânico perdeu a melhor oportunidade do ano. Fiquei
imaginando eles descobrindo que as meninas não estavam fantasiadas, estavam mal vestidas mesmo.

Qual o problema com o jeito de se vestir do pessoal, dona? Onde você viu pessoas “mal vestidas mesmo”, eu vi uma das maiores concentrações de camisetas bacanas que eu já vi, coisa que inclusive comentei com um amigo, também presente, que se mostrou plenamente de acordo. Durante o intervalo, fui ao banheiro e encontrei um carinha com uma camiseta branca, do novo Zelda, animal: na parte da frente, o logo, na parte das costas, a Triforce com aquelas firulas todas que ela ganhou no Twilight Princess. Tudo em alta resolução, tanta que eu achei impossível ser feita em casa. Perguntei, e ele respondeu: “é, foi feita em casa”. Eu não sei você, madame, mas eu acho o máximo pessoas que fazem as suas próprias camisetas, e as fazem ficar bonitas pra caramba. Mas essa é só a minha opinião.

Ponto negativo para o público. Aquele blá blá blá que o brasileiro é um povo caloroso não cola. Talvez Tallarico tenha achado engraçado, mas eu odiei. Encarar os jogos com fanatismo seria uma boa explicação para os uivos e gritos no começo de toda música. A ejaculação precoce poderia explicar as palmas antes mesmo do término da maioria delas, mas a verdade é que o brasileiro precisa aprender a se comportar. Do meu lado, um japonês com cara de Fifa Soccer chegou a chorar em uma das músicas. O ápice do nerdialismo foi na música do WOW, quase um orgasmo coletivo. Fiquei com medo de todo mundo tirar a roupa e começar uma orgia. Por sorte, nerd que é nerd toma banho de cueca, não ficam pelados em público. Mas gritam Kingdom Hearts em coro. E batem palmas acompanhando a música, o que me irritou profundamente.

OK, deixe-me entender. A senhorita gostaria que milhares de gamers entusiastas se controlassem? Talvez você tenha se esquecido (tenho certeza que de foi um mal entendido, a senhora não faria uma coisa dessas) de que está falando de um público que sofreu anos a fio só ouvindo falar que essas coisas existem, mas nunca vendo uma de perto. Uma massa acostumada a se contentar com a clássica reclamação “só os japoneses/americanos têm essas coisas” e com a clássica esperança de um dia termos coisas assim no Brasil. Você realmente queria que nós ouvíssemos as músicas quietinhos, cochichando para os nossos vizinhos de mesa “um espetáculo magnífico, não?” e bebendo vinhos caros da safra premiada de 198X? Aquilo era uma FESTA, dona, e uma festa sendo dada em nossa homenagem, naquela noite, única e exclusivamente para nós! Todos os presentes compartilharam dessa alegria; se você se sentiu excluída, certamente deveria ter a noção de que não “entendeu” o evento, logo, deveria ter passado o texto para outra pessoa escrever, ou pelo menos ter escrito com mais cuidado, ciente de que não é um assunto que você domina. Ou ter caracterizado o texto logo de cara como uma crítica negativa de cunho pessoal. Tantas opções!

E qual o grande mau em ser nerd? Eu não sou (embora o simples fato de estar escrevendo esse parágrafo em defesa deles me faça quase ser um), mas, se fosse, estaria profundamente chateado com as colocações dessa moça. E eu acredito sinceramente que o objetivo o texto não era chatear ninguém. Foi simplesmente um texto que era para falar sobre como foi um evento, mas acabou descambando para uma totalmente inapropriada e exagerada crítica pessoal a toda uma classe de pessoas. “Nerd que é nerd toma banho de cueca”? “Japonês com cara de Fifa Soccer?” Infelicíssimo. Se eu fosse um pouquinho mais ativista (ou tivesse conhecimento jurídico), tenho quase certeza de que poderia achar uma brecha para um processo por preconceito, ou sei lá como um advogado chamaria.

Ainda bem que a resenha é curta, senão o meu post teria que ficar maior que isso. E eu realmente não gosto de falar mal. Então, fiquemos por aqui. E, se por algum acaso a autora dessas linhas criticadas chegar a ler esse texto, entenda: não é nada pessoal. Desejo sorte e sucesso profissional, mas simplesmente não poderia deixar de registrar a minha opinião (o mundo hoje em dia não é feito delas?).

É a minha contra a sua. Ou lado a lado — afinal, existe uma mais certa que a outra?
a

10 Responses to “…e malhando uma resenha terrível”


  1. 1 BangerX terça-feira, 05/12/2006 às 8:06 am

    Incrível, resenha mais parcial que essa ímpossivel, essa moça obviamente tem algo contra os “nerds”, mas o pior é que ela escreve como se fosse a dona da verdade, sem deixar brexas para outras opiniões, não gostei nem um pouco da resenha dela e acho que ela foi muito infeliz no que escreveu.

  2. 2 Bruno Alexander Zerbinatti quarta-feira, 06/12/2006 às 12:07 am

    Ela só quer chamar atenção, é uma autêntica “att. whore”. Falem mal, mas falem de mim. E me conheçam como “a dona das análises mais ácidas e críticas”.

    Acho que ela conseguiu. A senhorita que tenta disfarçar sua nerdice foi assunto em diversos blogs e comunidades.

  3. 3 Gil "Outer Heaven" quarta-feira, 06/12/2006 às 12:14 pm

    Fabinho, Fabinho… ^^ essa pessoa que escreveu a tal resenha malhando o VGL, sem dúvida não ENTENDE o que viu, não CONHECE o que viu, não ACOMPANHA A INDÚSTRIA DE GAMES para saber a euforia do público que foi lá assistir e, arrisco dizer que (comentário grosseiro vinda… crianças, párem de ler, por favor) quando uma mulher é mau amada, não tem namorado, não faz sexo e entra na menopausa anos antes do momento, dá nisso… “JORNALISMO BLOGUEIRO PESSOAL ESTILO ‘MEU QUERIDO DIÁRIO’…” – se bem que existem trocentos blogs que conseguem passar ótimas mensagens e informações sem agregar grosserias e injustiças. Mas fazer o que, a vida continua, o mundo gira e todo mundo fica feliz, exceto quem malhou algo injustamente… mas é tudo uma questão de opinião. O lado bom é que, quem foi ao show sabe extamente o que viu e sentiu. É suficiente…

    Agora deixa o Genome Soldier aqui voltar à ronda gamística dele, antes que me capotem para roubar minha Dog Tag. Fui!

  4. 4 Thiago quarta-feira, 06/12/2006 às 1:43 pm

    Quando eu li o texto dessa garota falando mal dos meus colegas nerds, eu fiquei com tanta raiva que… que… o meu limit break gauge subiu e eu daria um Omnislash nela se ela estivesse por perto. =) =) =)

    Mas sério agora. Essa menina aí deve no mínimo só frequentar shows da Shakira e porcarias do tipo. Aposto que ela própria foi ao show dos Backstreet Boys e ficou gritando histericamente quando o loirinho começou a miar… digo, cantar.

    Resumindo, a “reportagem” dela é tão ridícula quanto ela própria.

  5. 5 Ricardo Brandão quarta-feira, 06/12/2006 às 3:46 pm

    É… eu já tinha visto esse infeliz e lamentavel artigo… e a galera aí em cima já dissse tudo.
    O problema é que ela usou palavras pesadas de mais, exagerou no senso opinativo e simplesmente ofendeu todo mundo. Mas a piadinha “…um japonês com cara de Fifa Soccer” foi, me perdoem, genial para o contexto. Eu ri. ^^*

  6. 6 Rafael Lemos sábado, 09/12/2006 às 12:35 pm

    Que coisa triste e horrorosa de se escrever! Ainda bem que o Bracht disse tudo

  7. 7 Rafael Lemos sábado, 09/12/2006 às 8:00 pm

    Agora que notei, o que tem de estranho na saida do Objetivo Paulista? Eu moro no lado e nunca vi nada estranho!!!

  8. 9 Ânderson H. T. sexta-feira, 15/12/2006 às 6:03 pm

    Realmente, uma resenha muito estúpida, cretina, ignorante. Se fosse eu, entrava com um baita processo em cima dessa mulher por racismo, preconceito e difamação, e arrancava até os pentelhos da moita dela. Povo de SP, juntem-se e façam alguma coisa. Tomem alguma atitude. Vocês que são de SP, é muito mais fácil fazer algo, poxa.


  1. 1 Just a Souvenir Trackback em terça-feira, 26/06/2007 às 11:00 pm

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