Archive for the 'Polêmica' Category

Porquê eu gosto tanto de Sonic and The Secret Rings? Uma questão de filosofia de design

Sonic and The AWESOME Secret RingsMe dói no coração sempre que eu ouço alguém falar mal do Sonic. O coitado não está mais na boa forma que costumava exibir há uns dez verões, mas nem por isso deixa de ser um ouriço esforçado. Reconheço que os últimos jogos dele passaram muito longe de poderem ser considerados meramente passáveis, tendo no exemplo maior o terrível, impensável, hediondississíssimo Sonic The Hedgehog para PS3 e Xbox 360. Tão ruim que nem conseguiram pensar num subtítulo. Por essas e outras que, apesar de me doer o coração ouvir alguém falando mal de um personagem tão bacana, eu nem posso retrucar. Eles têm razão.

Exceto quando assunto vira para Sonic and The Secret Rings[bb].

Já tive inúmeras discussões, tanto online quanto offline, no papel de defensor desse jogo. Inclusive uma delas foi com o sábio Fabio Santana, que pelo menos concordou com o meu argumento, ainda que não com a intensidade com que eu o defendia. E é simples. O maior defeito do jogo na opinião de todo mundo é o design de fases. Justamente o ponto que eu achei mais sensacional. É, aham. Eu gostei do design de fases.

Mas eu estou colocando a carroça na frente dos ouriços. Que tal clicar no link e me deixar defender a minha tese com mais calma?

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God of War 2: Não rola

Kratos Não Falar Seu L�nguaAcabei de jogar uma hora de God of War 2. Agorinha mesmo, antes de começar a escrever esse post. Era um dos jogos que estava na minha lista de pendências pra terminar. Como o PS2 estava ligado na TV (porque eu tinha usado pra assistir Tenacious D in: The Pick of Destiny esses dias), resolvi que era menos trampo jogar GoW 2 do que ligar o Wii pra tentar mais algumas classificações S no ExciteTruck. Então fui.

Como fazia tempo que eu não jogava, e quando joguei nem fui tão longe, resolvi que era mais negócio começar um jogo novo. Assim tudo ia ficar mais fresco na memória, e tal. Não ia parecer que eu caí de para-quedas na história. Beleza. A cara grande e brava do Kratos ocupava metade da tela quando escolhi a opção New Game. Aí, sem respirar, já começava a CG inicial. Uma puta cena com ele conversando com sei-lá-quem sobre sei-lá-o-quê, sabe-se-lá-onde.

Depois de alguma gostosa carnificina gratuita disfarçada de tutorial, uma voz no céu fala alguma coisa sobre “pegar a espada” e “reaver seu poder”. Kratos pergunta algo do tipo “tá me ajudando pra quê, Zeus?”. E ele responde alguma outra coisa sobre “reaver seu poder”. Tudo assim, bem vago, sob o meu ponto de vista.

Aí rola a linda batalha contra o colosso, aquela coisa cheia de brutalidade e testosterona, com a jogabilidade perfeita que garantiu uma pá de nota 10 (e um dos 9.5 mais polêmicos da história da EGM Brasil, Farah que o diga). Puta jogo legal, sem dúvida.

Até aí o carniceiro do Kratos já tava sem poder divino, e o próprio Zeus tinha vindo dar umas bifas nele. “Bifas” em romano significa “enfiar uma espada de meio metro de largura no peito”. Aí, quando o inferno o espera pela segunda vez (OMG SPOILER: no primeiro ele morre uma vez também, lembra?), Kratos recebe aquela baita revelação do tal do Gaia, o sei-lá-o-quê da terra. Deus, titã, uma coisa assim.

Agora pára tudo. Dá pra curtir um jogo assim, sem entender nada direito? Eu sou aquele tipo de cara que…

…quando joga um RPG, perde 20 minutos em cada cidade nova só falando com os NPCs;
…costuma falar mais de uma vez com os NPCs, só pra confirmar que eles vão repetir a mesma frase;
…lê cada página e faz cada missão do tutorial;
…nunca pula uma CG ou cut-scene;
…sempre assiste as aberturas dos jogos antes de começar a jogar;

Porra, mesmo os ignorados manuais de instrução, eu sempre leio!

Pra mim, jogar um jogo não é apertar os botões daquele jeitinho especial que te faz passar de fase. É aproveitar todo o conjunto da obra. E a parte mais importante desse conjunto (em um jogo como os God of War), além da jogabilidade em si, é a história. Eu simplesmente não consigo aproveitar uma parte sem a outra. Quando eu não consigo lidar com a jogabilidade, não importa o quanto a história possa ser boa — eu não consigo jogar. E quando eu não consigo aproveitar a história (e ela é importante), a jogabilidade pode ser a melhor do mundo — não rola.

É o caso de God of War 2. Pô, Sony Computer Entertainment America, colocar umas legendas é tão difícil assim!?

Eu me viro muitíssimo bem com inglês, mas ouvir um pessoal falando com aquela voz gutural característica das divindades, num linguajar meio romano-antigo, enquanto toca uma estrondosa música épica ao fundo e ruídos de guerra se fazem ouvir por todos os lados… não dá, não consigo. Talvez — talvez! — desse pra entender a bagaça toda se o volume da TV estivesse bem alto (acordando minha namorada, já que eu praticamente só jogo à noite) e a casa estivesse em silêncio absoluto (o que nem sempre é possível quando se tem cinco cachorros), mas senão a história fica toda desse jeito, na base do “ele disse mais ou menos isso”, conforme eu tava contando no início do post.

God of War é um jogo maravilhoso, com uma das melhores jogabilidades que eu já vi no gênero. Mas da história eu não abro mão. Por isso não vou jogar. E que tenha legendas no 3, senão não jogo também. Hmpf!

Cadê a Dona Graça no Resident Evil 4?

resident_evil_4.JPGSeja lá o que diabos vocês todos encontram de tão bom nesse tal de Resident Evil 4, certamente eu não encontrei. Pelo menos não ainda. Assim que terminei o ICO, consultei a minha lista e vi que o próximo a jogar era ele, mas o que encontrei foi uma série de aspectos que me causaram diversas reações, entre as quais posso destacar tédio, muita frustração e até uma certa repulsa.

Até hoje eu nunca li ou ouvi nem sequer uma opinião desfavorável ao game. Todo mundo parece ser unânime em afirmar que é um puta jogaço e tudo mais, e eu entendo que todos devem ter os seus motivos. Uma das coisas que todos fazem questão de frisar é o quanto RE4 é diferente, “evoluído”, em relação aos episódios anteriores da série. E sim, ele é mesmo. Mas aí é que está: eu nunca, nunquinha mesmo, gostei nem um pouco de Resident Evil[bb]. Logo, joguei o 4 como se fosse um outro jogo, sem comparar aos REs anteriores. Mas nem assim…

O resumo da história é que eu simplesmente não consegui me acostumar com vários aspectos do jogo. Desde coisas simples, como o irritante som dos passos do protagonista e a história que já começa com o maior clichê da história (meu, quando os presidentes dos EUA vão finalmente reforçar a segurança de suas filhas?), até aspectos mais complexos, como a jogabilidade, pouca coisa me “desceu”. E com certeza, das coisas que desceram, nada desceu redondo.

Longe de mim falar que os gráficos de RE4 são ruins, porque não são. Mas “ruim” e “feio” são dois adjetivos completamente diferentes, e, sim, eu achei os gráficos de RE4 feios. Feios pra dedéu, pra chuchu, pra caralho. Eu sei que ele está num lugar árido e abandonado e que o jogo é mais extenso do que um percurso de ida e volta pela Grande Muralha da China, com baldeação, mas custava colocar um pouquinho de personalidade nos cenários? São sempre as mesmas casinhas, os mesmos zumbis, os mesmos animaizinhos emagrecidos pela falta de cuidado por parte dos camponeses (claro, agora eles são zumbis sem amor às criaturas de Deus). A vegetação tem sempre o mesmo exato tom de amarelo. Aí, quando eu olhei pra um cocho de água, cuja legenda dizia que já estava com a água parada há séculos e completamente sujo, eu tive que olhar pro meu PS2[bb] pra ter certeza de que não era um PSOne numa carcaça preta, tentando me passar a perna. Mas não, ele tinha acabado de rodar e maravilhoso Soul Calibur III[bb] por quase duas horas. A culpa devia ser do jogo mesmo.


Com milhões de cores à disposição, o jogo praticamente só usa amarelo e marrom.

Mas os gráficos feios nem são o pior do jogo. Eu gostaria mais ainda é de saber o que diabos é aquele sistema de movimentação do Leon. Eu tenho certeza praticamente absoluta que um cara duro e lerdo como ele jamais entraria para nenhum tipo de força policial. No máximo o cara passaria no teste pra ser guardinha noturno aqui do bairro. Por que ele não consegue andar de lado ou esquivar? Ter que girar o corpo noventa graus para só então começar a correr de uma dinamite que estoura em menos de dois segundos não é lá muito produtivo, ou mesmo seguro. E por que ele tem que mover o corpo inteiro na direção do alvo quando está mirando ou atirando? Da última vez que eu me informei a respeito, era possível alcançar os mesmos resultados apenas movendo o braço que segura a arma.

E, principalmente, por que DIABOS DOS INFERNOS ele não consegue dar um passo, um mísero passo para qualquer direção que seja, se estiver com empunhando a faca??? Eu e a minha namorada frequentemente passeamos na Avenida Paulista, e quase sempre paramos no Bob’s para adquirir dois deliciosos Milk-Shakes de Ovomaltine (pra ela) e Morango (pra mim), que costumamos consumir enquanto caminhamos pela avenida. Isso não teria nada a ver com o que eu estou falando sobre o Resident, não fosse o fato dela sempre tirar sarro da minha cara porque eu fico sempre bem mais calado enquanto caminho tomando o milk-shake: “Você não consegue andar, tomar milk-shake e conversar ao mesmo tempo! Hahahah!”. É, eu tenho um tantinho de dificuldade, amor. Mas, olha só, eu acabei de ir ali na cozinha, peguei uma faca e tentei andar com ela na mão. E eu consegui! EU, descordenado que só, consegui fazer algo que o respeitado soldado de elite Leon S. Kennedy não consegue! Tentei até aumentar a dificuldade, tentando andar, segurar a faca AND* golpear zumbis hispânicos imaginários, tudo ao mesmo tempo, e CONSEGUI. Não tem desculpa pra ele não conseguir. Não tem mesmo.

No post anterior a esse, tive a honra de ser elogiado pelo Fabão, que disse que eu sabia compreender decisões de design. Não reclamar de alguma coisa que tem razão para ser, digamos, pior do que deveria. E eu sinceramente acho que a jogabilidade da série Resident Evil é uma dessas decisões de design. Você ter que dar uma volta completa em torno do próprio eixo do seu corpo só pra poder correr da aberração que vem andando em sua direção realmente adicionava mais tensão e pavor à coisa, e isso era um dos objetivos do game. Dar tensão e pavor ao jogador. Mas, por mil Miyamotos, não estamos mais em 1996! Isso foi uma decisão de design tomada há onze anos atrás e, pelo menos na minha humilde opinião, não convence mais hoje em dia. Com o poder dos consoles atuais, é possível criar situações de tensão e pavor que não tenham como efeito colateral a vontade quase incontrolável de enfiar o DualShock[bb] parede a dentro. Talvez seja porque eu acabei de terminar ICO e me acostumei com uma movimentação perfeita e fluida, mas eu realmente odiei controlar Leon S. Kennedy. E isso, por si só, já seria motivo pra largar o game e ir jogar coisas que me fazem mais feliz.

Mas não, eu pretendo jogar mais algum tempo. Reconheço que joguei muito pouco do game para dar a minha nota definitiva. Por isso, isso aqui está longe de ser um review. Ainda não entendi como dezenas de revistas, sites e blogs do mundo inteiro deram notas altíssimas pra essa aparente quase-porcaria, e quero muito entender. Faço questão.

Mas será que vai demorar muito? Eu queria jogar mais Soul Calibur…

*Sim, eu leio o Judão.

Sobre Istas e Porquê eu prefiro o Wii

Segue a troca de comentários, no post A Diferença, que motivou o texto de hoje:

# Ânderson H. T. Dez 15th, 2006 em 5:05 pm
LOL, acabei de conhecer este blog, que já adianto que gostei e pretendo visitá-lo com alguma freqüência. Mas, o grande problema, é a hipocresia, isso mesmo, HIPOCRESIA, do autor das postagens.

No blog do Fabão, ele deixou na parte de comentários, um post linkando com um post deste blog aqui, falando sobre a velha questão dos “istas” e as infinitas discussões estúpidas, infantis, ignorantes, entre outros adjetivos.

Bem, o autor do post, critica, assim como o Fabão muito bem o fez, essas atitudes, mas ELE PRÓPRIO tem uma atitude semelhante, ao denegrir a imagem do PS3, rebaixando-o, assim como fez neste post, por exemplo.

Bom, ele ainda vai pisar na jaca que derrubou, não nos preocupemos.

# 12 Fabio Bracht Dez 15th, 2006 em 10:45 pm
Anderson, eu li o teu comentário umas quantas vezes. Até a parte do “HIPOCRESIA” (*sic!*) tá tranquilo, mas depois já não entendi mais nada do que tu quis dizer. Que tal ser um pouco mais direto?

Quando tu fala “autor do post”, tu tá se referindo à mim ou ao Fabão? Quem tá “denegrindo” a imagem do PS3? E, mais importante, que diabo de jaca é essa, filho? 😛

Abraço!

# 13 Ânderson H. T. Dez 16th, 2006 em 9:36 am
Uahahahah, eu me refiro à você, Fabio. Vou tentar te explicar melhor. Eu até posso estar enganado, mas na MINHA PARTICULAR visão, o seu post deixou transparecer um certo desdém, um certo quê de “iihh, que console mais medíocre, só tem boniteza, tamanho e mais nada”, algo nesse sentido, entende?

Enquanto que nos outros posts, não só nesse, vejo você tecendo mil elogios ao Wii. Isso, NA MINHA VISÃO, parece uma atitude meio ista sim. Entendeu o que eu quis dizer? Você critica esse negócio de istas, assim como o Fabão fez, mas tem atitude semelhante. É isso que eu quis dizer.

Mas como já disse mais acima, até posso estar enganado sim, meu ponto de vista pode ter se deturpado, mas é o que eu achei. Que você tendencia demais para o lado do Wii, o que não deixa de ter um certo ismo no meio. E se for o caso, virá hipocresia você criticar tais coisas em seu post anterior, se você mesmo o faz. Entendeu o que eu quis dizer?

Acho que consegui explicar melhor agora, pelo menos, espero =)

Ah, sim. Bem mais claro agora. Valeu.

Olha só… “Ista” é um termo relativamente novo, mas eu acho que já deveria entrar para o dicionário, a fim de evitar interpretações erradas do sentido da palavra. Sabe o que é um Ista? É alguém que deixa de aproveitar jogos de outras plataformas que não sejam a e preferência dele. Apenas isso. Preferir não é ismo, é opção. Se fechar é ismo.

Digamos que você tem um amigo que tem um PS2 e só joga Winning Eleven e o eventual jogo do filme que acabou de sair. Mesmo que ele só jogue PS2, não dá pra saber se ele é ista até tu convidar ele pra jogar Smash Bros ou Mario Kart Double Dash contigo no teu GameCube, ou conhecer Zelda Wind Waker. Ou Halo, Forza ou Ninja Gaiden no teu Xbox. Se tu convidar e ele recusar, alegando que “isso é jogo de criança”, “eu prefiro ficar jogando o meu Winning Eleven” ou qualquer afirmação que subjetive uma “superioridade” dele, já pode-se ouvir o Alarme de Ista apitando. Caso ele vá contigo jogar, beleza. Ele é só um cara que não conhece muito de games e tem o horizonte limitado aos jogos “povão”.

Quer dizer, a diferença entre um ista e um não-ista é puramente a presença ou não de preconceito.

E o que é preconceito? Felizmente, essa já tá no dicionário:

1 qualquer opinião ou sentimento, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico
1.1 idéia, opinião ou sentimento desfavorável formado a priori, sem maior conhecimento, ponderação ou razão

Eu seria ista se falasse mal sem conhecer. “Sem exame crítico”, como diz a definição do Houaiss. E eu falo mal do PS3 sim, mas porque eu SEI do que eu estou falando. Pergunte ao pessoal da redação da Futuro (que foi onde eu joguei o grandão preto da Sony) se tem UMA demo ou jogo minimamente importante lá que eu não joguei. Joguei o Resistance, joguei o Ridge Racer, joguei o MotorStorm, joguei o Blast Factor e alguns outros jogos arcade que eles tinha baixado… Além disso, eu vi a máquina chegando, vi como ela funciona, vi o trabalho de que dá pra configurar um usuário e se conectar à internet, vi tudo. Eu posso falar sem, não posso?

E, se tem alguma coisa (relacionada a qualquer assunto, não só o PS3) que eu não experimentei mas falei mal mesmo assim, certamente foi porque eu li a opinião de alguém que bate com a minha e ela também foi desfavorável — logo, eu já tenho 90% de certeza que a minha seria desfavorável também. E outra: quando eu não experimento, o meu texto “falando mal” normalmente tem um tom bem menos crítico. Ou seja, eu só pego pesado de verdade se eu sei do que eu estou falando.

E, nesse momento da história dos games, sendo bem sincero, o PS3 fede. Essa é a verdade. Promissor pro futuro? Com certeza! Quando sair Metal Gear Solid 4, um novo Resident Evil, God of War 3 (alguém duvida?), Gran Turismo 5, Final Fantasy XIII e mais um monte de games fodas que estão prometidos, o PS3 vai provavelmente ser um videogame tão bom, ou melhor, que o PS2. E eu vou jogar todos que eu puder, porque que serão games animais. Mas neste exato momento, ele só serve pra jogar as demos do MotorStorm e do Ridge Racer. Por 600 dólares? Não vale a pena.

Vocês já viram eu falando mal do Xbox 360? Não, né? Já pararam pra pensar no motivo? É porque ele é bom. Eu gosto dele. Ele não me dá motivos pra falar mal, assim como o PS3. A cada dia que passa eu passo mais e mais tempo pensando em “quem eu vou ter que matar” pra comprar um 360 pra mim. Agora vocês vão me chamar de Xboxista também?

E, pra terminar, sim, eu amo o Wii. Ele simplesmente bate com a minha idéia do que um videogame deve ser hoje em dia. É igual ao DS: eu soube que o DS seria o meu melhor videogame em junho de 2004, quando eu peguei a EGM Brasil com as notícias da E3 daquele ano, cuja capa era “A Batalha dos Portáteis” e anunciava o Nintendo DS e o Sony PSP. Na época, eu nem estava por dentro das notícias dos games, nem pensava em ser um jornalista e jogava só por diversão no Nintendo 64 do meu primo. Mas quando eu li que o DS teria duas telas, microfone, tela de toque e wi-fi, não teve como eu não me empolgar. Hoje em dia eu tenho um DS e jogo ele muito mais do que jogo o meu PS2. Foi o melhor dinheiro que eu já gastei com games na vida.

A verdade é que eu sou apaixonado por coisas novas. Tenho uma obsessão com a palavra “novo”, com mudar a forma das coisas. Sempre que eu ouço falar de um site novo, por exemplo, eu já faço cadastro. Assim eu já conheci uma lista gigantesca de sites e serviços que eu entrei, dei uma olhadinha, achei legal, mas acabei não voltando. Mas, da mesma forma, conheci uma lista quase tão grande de sites e serviços que eu uso todo dia e não consigo mais viver sem, como o Google Docs & Spreadsheets, o Del.icio.us, o Flickr, o Picasa, o Google Desktop, o Last.fm, o Pandora, o Box.net, o WordPress, o Firefox, o Digg… O que isso tem a ver com eu gostar do Wii? É que todos esses sites/programas/serviços têm uma coisa em comum com o Wii: eles fazem alguma coisa nova, ou fazem alguma coisa que os outros já fazem, mas de um jeito totalmente novo. E assim é o Wii e assim foi o DS.

O PS3 faz alguma coisa nova? Juro que eu tô tentando achar alguma coisa que ele faça de novo, mas não consigo achar… Sensor de movimento no controle? O Nunchuck já tá fazendo. Jogo online centralizado? O 360 já domina isso. Tirando o Blu-Ray (que pra mim não é uma novidade, é uma evolução natural das coisas), absolutamente tudo que o PS3 faz já foi feito por alguém. Quando o primeiro PlayStation entrou no mercado, chegou mudando tudo: a mídia era nova (e fazia a diferença), a proposta era nova (games mais adultos), a empresa era nova (no segmento), tudo. Diabos, até o controle a Sony teve a ousadia de mudar, naquela época! Quando o controle do PS1 foi revelado, foi como o que aconteceu com o Wii: chamou mais atenção do que o console em si. Era tudo diferente: triângulo, xis, círculo e quadrado? Quatro botões de ombro? Direcional divido em quatro partes? “Como a gente vai se acostumar com isso?” Era tudo novo. A diferença da Sony de hoje para aquela Sony da metade da década de 90 é que ela tem se mostrado incapaz de se reinventar. E, ao contrário do que ela pensa, os gamers querem isso. Pelo menos eu sei que eu quero.

Por isso eu prefiro o Wii.

psx.jpg
O Wii de 1995

A Diferença

play3.jpgÉ, a Continue é mesmo muito boa e tal, mas aquele post ficou tempo demais aqui. Hora de sacudir a poeira.

E para isso, vamos falar de PS3. O grande negócio preto da Sony. Esse da imagem aqui do lado. Eu não sei o que acontece, mas eu devo ser um cara de sorte: no dia em que o Wii chegou à redação da Futuro, lá eu estava; e no dia em que o PS3 chegou — adivinhem! — lá eu estava. E, por isso, deu pra perceber claramente a diferença entre os dois, na prática.

No dia do Wii, quando eu cheguei na redação, ele já estava ligado há alguns minutos. Ou seja, eu não acompanhei o momento da chegada, o momento em que tiraram o console da caixa e ligaram os primeiros fios. Ou seja, eu não vi a emoção inicial, que costuma ser a maior e mais exposta. Mas, mesmo assim, a sensação que eu tive quando cheguei foi a de que aquela redação não ficava alegre daquele jeito há tempos. E, conversando posteriormente com algum cara de lá, ele acabou me dizendo algo bem parecido com isso. Só não lembro quem foi, acho que o Minatogawa. Mas não lembro.

Enfim, quando eu cheguei lá, o pessoal tava jogando Wii Sports, que era o único jogo que tinha no momento. O Fabão, que não sai da mesa dele se o assunto não for um Final Fantasy novo ou um desafio de Soul Calibur III do Guerra, estava jogando. Tinha uma galera em volta, seja assistindo ou esperando a vez de dar uma tacada no Wii Golf. E essa galera continha gente de todos os departamentos da Futuro, da Recepção ao Assinaturas, passando pelo Comercial e até pela tia da Limpeza. (Tá bom, ela eu não lembro se estava mesmo lá.)

E o Wii ficou o dia todo ligado (eu cheguei perto das 11 da manhã e saí de lá perto das 7 da noite), e o tempo todo tinha gente jogando, por puro prazer. Esses são os fatos de quem estava lá e viu tudo acontecer.

E o que dizer do PS3? Primeiramente, deixa eu falar: o bicho é lindo. É animalescamente maior do que eu imaginava, mas ainda assim é lindo. Todo reluzente, naquele material preto semelhante ao do PSP, e com botões (o Eject e o Power) que você não precisa apertar para acionar (basta encostar o dedo). E, como eu disse, é grande. Imponentemente grande. Em matéria de design de hardware, eu nem ousaria traçar um comparativo entre os PS3 e o Wii, simplesmente porque eles são muito diferentes. Mas eu também não diria que um é mais bonito que o outro. Seria como comparar suco de abacate com fibra ótica, ou coisa assim.

Mas a experiência… ah, a experiência. A emoção que o PS3 causou (e eu vou ser reto e direto agora) foi como uma brisa cortante de vento polar, em comparação com a comoção pelo Wii. Não havia câmeras fotográficas, não havia gente se estapeando pra ser o primeiro a ver o bicho sair da caixa, não havia nada disso. O Danilo, do comercial, simplesmente chegou com a caixa, anunciando “Chegou o PS3!”, e meia redação se reuniu no espaço de jogos para ver o bicho. Todo mundo achou o console muito bonito (como eu), mas simplesmente não havia o calor e a empolgação que o Wii proporcionou. E as opiniões sobre o controle foram quase unânimes:

  • É leve demais;
  • O material é parecido demais com o dos piratas que você compra no camelô;
  • O “Botão PS” é um plágio descarado do Guide Button do controle do Xbox 360;
  • Os botões L2 e R2, que agora não gatilhos, poderiam ser bem melhores se tivessem uma “pegada” mais firme e se tivessem o famoso “clique” quando você pressiona até o fim;
  • O rumble faz muita falta;
  • De novo, é leve demais;

E o teste do “uma hora depois”? Enquanto o Wii divertiu a redação (e a fila de colaboradores que apareceu por lá só pra tirar uma casquinha — eu incluso) por várias horas a fio desde o primeiro momento, seja com o Wii Sports ou com a criação de Miis, o PS3 foi ligado e começou com a burocracia: primeiro, havia o usuário para ser criado. Depois, havia a internet a ser configurada, por último, o irritantemente gigante cadastro na PS Network (a rede online que a Sony disse que não teria nome), que, depois de quase uma dúzia de passos, finalmente nos deixou entrar na rede, para… fazer um update de sistema que levou muito mais do que uma hora. Praticamente levou o dia inteiro, já que o PS3 chegou no início da tarde e, até às 7 e pouco, horário em que saí, ninguém havia jogado nem cinco minutos.

Wii = Diversão
PS3 = Burocracia

Mas eu voltei. Alguns dias depois eu voltei pra jogar mais. Agora o sistema já estava atualizado, alguns demos de jogos já estavam baixados e não havia mais burocracia. OK, qual o resultado? Gundam é péssimo. Tem gráficos que parecem os jogos de PS2 de uns 3 ou 4 anos atrás. Pelo menos nos primeiros minutos foi essa a impressão que eu tive. SEGA Golf eu nem joguei. E o Tiger Woods PGA Tour 07 (sim, dos 3 jogos que a redação recebeu, 2 são de golfe) é mais legal que o 06, diverte quem gosta do esporte (eu gosto) e tem gráficos bacanas… mas que o Xbox 360 faz enquanto assobia, chupa cana e faz download da demo do Lost Planet. No fim das contas, o melhor que se pode fazer é jogar a demo do MotorStorm, porque esse sim diverte. Seja pelas corridas emocionantes, pelos gráficos realmente bons ou pelas ridículas animações de ragdoll que rolam quando você bate o veículo e o piloto voa longe. É de rachar o bico de rir. Pra quem tem um chip tão (auto-proclamado) fodão, capaz de calcular a física de zilhões de gotas d’água caindo numa tempestade (conforme eles afirmaram em um comercial), usar Ragdoll pra fazer aqueles bonecos caírem chega a ser uma ofensa. Mas no fim das contas é um “jogo” muito bom, que vai mostrar pro ExciteTruck tudo que ele poderia ser se fosse um jogo de PS3. E, pra terminar, deixa eu falar do Blast Factor: não jogue. Se é pra copiar outro jogo, usem o mesmo nome. Mudar o nome e o cenário não faz com que esse jogo seja 1% diferente de Geometry Wars. Na verdade o demo é ainda pior, já que acaba BEM mais rápido. Não jogue e pronto.

Outro ponto que me incomodou foi a interface do sistema do PS3. Nesse caso eu admito que é chatisse da minha parte, já que eu estou condicionado a pensar que as coisas evoluem. Eu sinceramente ficaria chateado de pagar 600 dólares numa máquina que praticamente grita “ei, eu sou o futuro!” e, ao ligá-la, dar de cara com a mesma tela que o PSP mostra há 2 anos. Esse é um assunto subjetivo e muitas pessoas podem argumentar com o clássico “não mexe no que está bom”, e elas estarão certas. Mas eu espero mais das coisas.

E eu não sei como concluir esse post. Que tal assim mesmo?
a

…e malhando uma resenha terrível

No último post eu fiz questão de elogiar e pagar pau pra uma resenha muitíssimo bem escrita. Pois bem. Agora é hora de fazer a mesma coisa, mas ao contrário: falar o que tem que ser dito sobre uma resenha deveras infeliz. Essa aqui, sobre o Video Games Live.

Mas o que tem que ser dito? Eu já tinha todo um texto na cabeça quando comecei a escrever essas linhas, mas acabei percebendo que eu ia dar voltas e mais voltas pra acabar dizendo uma coisa só: opinião é bom, mas tem que saber usar. Ou a autora da crítica queria justamente causar esse tipo de reação nos “nerds” que foram ao evento e curtiram, ou ela realmente deveria aprender a enfatizar a frase “na minha opinião…” nos textos dela.

Em quatro das cinco primeiras frases, a autora já dá motivos mais do que suficientes para pararmos de ler o texto e abaixarmos a cabeça, pesarosos e desejando um bom futuro a essa pobre alma que não sabe se expressar:

“Grande parte dos presentes pareciam ter saído de algum banheiro do Star Wars.

“A fila de entrada era três vezes mais esquisita que a da saída do Objetivo Paulista.”

“O pessoal do Pânico perdeu a melhor oportunidade do ano. Fiquei
imaginando eles descobrindo que as meninas não estavam fantasiadas, estavam mal vestidas mesmo.

Qual o problema com o jeito de se vestir do pessoal, dona? Onde você viu pessoas “mal vestidas mesmo”, eu vi uma das maiores concentrações de camisetas bacanas que eu já vi, coisa que inclusive comentei com um amigo, também presente, que se mostrou plenamente de acordo. Durante o intervalo, fui ao banheiro e encontrei um carinha com uma camiseta branca, do novo Zelda, animal: na parte da frente, o logo, na parte das costas, a Triforce com aquelas firulas todas que ela ganhou no Twilight Princess. Tudo em alta resolução, tanta que eu achei impossível ser feita em casa. Perguntei, e ele respondeu: “é, foi feita em casa”. Eu não sei você, madame, mas eu acho o máximo pessoas que fazem as suas próprias camisetas, e as fazem ficar bonitas pra caramba. Mas essa é só a minha opinião.

Ponto negativo para o público. Aquele blá blá blá que o brasileiro é um povo caloroso não cola. Talvez Tallarico tenha achado engraçado, mas eu odiei. Encarar os jogos com fanatismo seria uma boa explicação para os uivos e gritos no começo de toda música. A ejaculação precoce poderia explicar as palmas antes mesmo do término da maioria delas, mas a verdade é que o brasileiro precisa aprender a se comportar. Do meu lado, um japonês com cara de Fifa Soccer chegou a chorar em uma das músicas. O ápice do nerdialismo foi na música do WOW, quase um orgasmo coletivo. Fiquei com medo de todo mundo tirar a roupa e começar uma orgia. Por sorte, nerd que é nerd toma banho de cueca, não ficam pelados em público. Mas gritam Kingdom Hearts em coro. E batem palmas acompanhando a música, o que me irritou profundamente.

OK, deixe-me entender. A senhorita gostaria que milhares de gamers entusiastas se controlassem? Talvez você tenha se esquecido (tenho certeza que de foi um mal entendido, a senhora não faria uma coisa dessas) de que está falando de um público que sofreu anos a fio só ouvindo falar que essas coisas existem, mas nunca vendo uma de perto. Uma massa acostumada a se contentar com a clássica reclamação “só os japoneses/americanos têm essas coisas” e com a clássica esperança de um dia termos coisas assim no Brasil. Você realmente queria que nós ouvíssemos as músicas quietinhos, cochichando para os nossos vizinhos de mesa “um espetáculo magnífico, não?” e bebendo vinhos caros da safra premiada de 198X? Aquilo era uma FESTA, dona, e uma festa sendo dada em nossa homenagem, naquela noite, única e exclusivamente para nós! Todos os presentes compartilharam dessa alegria; se você se sentiu excluída, certamente deveria ter a noção de que não “entendeu” o evento, logo, deveria ter passado o texto para outra pessoa escrever, ou pelo menos ter escrito com mais cuidado, ciente de que não é um assunto que você domina. Ou ter caracterizado o texto logo de cara como uma crítica negativa de cunho pessoal. Tantas opções!

E qual o grande mau em ser nerd? Eu não sou (embora o simples fato de estar escrevendo esse parágrafo em defesa deles me faça quase ser um), mas, se fosse, estaria profundamente chateado com as colocações dessa moça. E eu acredito sinceramente que o objetivo o texto não era chatear ninguém. Foi simplesmente um texto que era para falar sobre como foi um evento, mas acabou descambando para uma totalmente inapropriada e exagerada crítica pessoal a toda uma classe de pessoas. “Nerd que é nerd toma banho de cueca”? “Japonês com cara de Fifa Soccer?” Infelicíssimo. Se eu fosse um pouquinho mais ativista (ou tivesse conhecimento jurídico), tenho quase certeza de que poderia achar uma brecha para um processo por preconceito, ou sei lá como um advogado chamaria.

Ainda bem que a resenha é curta, senão o meu post teria que ficar maior que isso. E eu realmente não gosto de falar mal. Então, fiquemos por aqui. E, se por algum acaso a autora dessas linhas criticadas chegar a ler esse texto, entenda: não é nada pessoal. Desejo sorte e sucesso profissional, mas simplesmente não poderia deixar de registrar a minha opinião (o mundo hoje em dia não é feito delas?).

É a minha contra a sua. Ou lado a lado — afinal, existe uma mais certa que a outra?
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Entre cartéis e sensores de movimento

mariobravo.gifE a polêmica do Wii mega-caro aqui no Brasil, hein? Eu tô tentando não comentar, não entrar nessa história, até porque não entendo (e nem quero entender, por enquanto) patavinas desse mundo à parte chamado “negócios”; mas quando eu vi esse site, não pude deixar de comentar comigo mesmo: “Ish, a coisa tá ficando feia.”

http://www.precojustonintendo.org/

E qual é a de vocês nessa história toda?

[ATUALIZAÇÃO:] O Vinícius Silva, do blog OitoBits (aliás, belo nome, hein?), complementou esse meu post com um dado que eu não conhecia — e era mais feliz sem conhecer: a Wikipedia tem uma tabela com o preço de lançamento oficial do Wii ao redor do mundo, cada um com o seu equivalente em dólares. A parte “curiosa” da coisa é: sem contar o Brasil, o país onde o Wii custa mais caro é o Chile, onde o console custa o equivalente a U$495,00. Sabe qual o equivalente em dólares do preço brasileiro? Mil, cento e vinte e quatro dólares.

U$1.124,00

Se alguém chegasse pra qualquer pessoa fora do Brasil e dissesse “Ei, eu paguei U$1.124 no meu Wii”, sabe o que ela diria? “LOL!

Eu não sei vocês, mas eu fico com vergonha.
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